domingo, 8 de abril de 2012

Nazaré: lugar da casa de Jesus!

“Minha morada é a casa de Javé por dias sem fim...”.
Salmo 23

Com as sandálias nos pés, firmes no caminho com os/as jovens e no seguimento de Jesus, estamos em Nazaré e neste mês de março, dentro da quaresma – tempo de converter na direção do Reino, queremos conversar sobre a Casa. Sobre a casa de Jesus, sobre a casa dos/as jovens, sobre a casa que somos e que somos chamados/as a ser. Queremos conversar sobre a casa enquanto casa e sobre a casa enquanto corpo.
A casa é um espaço fundamental no processo e na vida de todas as pessoas. Assim foi com Jesus. Assim é com cada um/a de nós. Não obstante, Jesus tem uma preferência por estar na casa das pessoas, ou seja, estar próximo, estar no cotidiano, estar naquilo que é mais simples e profundo da vida. Sua missão o fez assim certamente porque sua experiência em Nazaré fora profundamente em sintonia com o povo da época.
A casa marca fundamentalmente nossa existência. É nela em que se vive muitas experiências que nos marcam pra toda a vida. É nela que estabelecemos relações, é nela que comemos, que sentamos a mesa, que partilhamos a vida, os saberes e as dores.
Como era a casa de Jesus? Será que conseguiríamos imaginar ou contemplar a casa de Maria, José e Jesus? Jesus tinha um quarto? Como era seu quarto? Qual a disposição da casa? Onde eles comiam? Se sentavam no chão? Existia mesa? O que Jesus foi vivendo e aprendendo em sua casa?  
José Pagola nos ajuda a pensar o contexto dizendo que certamente “Jesus viveu numa humilde casa e captou cada detalhe da vida de cada dia. Sabe o melhor lugar para colocar um candeeiro, viu as mulheres varrendo o chão pedregoso com uma folha de palmeira, passou várias horas no pátio da casa e sabe o que as pessoas vivem em seus dramas e alegrias diárias. Viu como sua mãe e vizinhas preparam a massa do pão com um punhado de fermento, observou-as remendando roupa...”.
O monge Marcelo Barros também nos inspira a pensar na casa de Jesus. “As descobertas arqueológicas apontam que as construções eram geralmente feitas de pedra, de tijolos e, às vezes, madeira. As casas mais pobres constavam de um cômodo e tinham apenas um andar. A parte superior das casas era constituída por um terraço, cercado de parapeitos, ao qual era possível subir por uma escada exterior. Durante o dia, eram utilizados para secar as roupas ou os cereais e, nas noites quentes, para descansar ou dormir. As casas mais ricas chegavam a ter dois andares, poço, tanques e, às vezes, piscina. Logo na entrada ficava a sala de visitas e, ao lado desta, o quarto dos hóspedes e dos donos da casa. Mais adiante, as acomodações dos servos, a cozinha, a despensa. No segundo andar, os cômodos dos filhos e, quando não era embaixo, o dos donos da casa. As portas eram estreitas e baixas. Havia poucas janelas, sem vidro”.
No tempo de Jesus, comia-se uma grande refeição ao dia. A base da alimentação era farinha, azeite e vinho. Perto do lago, muito peixe e, nas festas, carne, principalmente de cabra, assada ou cozida na água. Além disso, pão, leite, queijo, manteiga, mel, legumes, lentilha, cebola, alho, pepino, repolho, couve-flor, amêndoas, cominho e coentro. As frutas eram uvas, figos, tâmaras e pêssegos. Todos dizem que Jesus gostava muito de comer.
Pensar na casa de Jesus nos faz pensar também nas nossas casas e nas casas dos/as jovens. O que vivemos em nossas casas? Como nossas casas estão organizadas? O que nossas casas nos ensinam? Onde é o espaço de comer e de partilhar? Pensar na casa de Jesus, nas nossas casas e na casa dos/as jovens noz faz pensar também nos que não tem casa, nas inúmeras pessoas que tem esse direito fundamental e humano negado, nos/as milhares de jovens que não tem casa, nos/as jovens que foram expulsos de suas casas pelo mais diferentes motivos e nos/as milhares de jovens que não tem esse espaço sagrado e fundamental na vida de todos/as.
Revitalizar nossa ação com os/as jovens, como Igreja, será ir e encontrar-nos com os/as jovens em suas “casas” propriamente ditas ou em seus espaços feitos casa, bem como encontrar com os/as jovens que não tem casa. Nos passos de Jesus, que se fez depois um “sem casa” fazendo do mundo sua casa, devemos também nós estar e ser presença evangélica e missionária junto a juventude.
Para além da casa como casa, cada um/a é uma casa como corpo. Nossos corpos são casas. Somos casas de nós mesmos, mas casas também do Divino. Olhar os/as jovens em sua diversidade aceitando-os e assumindo-os como realidade teológica será dar-nos conta de centenas de milhares de casas (cada casa a seu estilo, jeito, expressão, organização, forma, etc...) abrigando vidas, sonhos, utopias, medos, desejos; abrigando Deus. Cada um/a é uma casa de si mesmo (na inteireza do que cada um/a é), mas também casa de Deus.
Os/as jovens durante a juventude vão descobrindo seu corpo, vão descobrindo a casa que é e o que nela cada um/a abriga. Jesus, em Nazaré viveu isso. Os/as jovens também vivem isso. Assumir a opção preferencial pelos/as jovens e revitalizar nossa ação com eles/as será dar-nos conta dessa descoberta. Dar-nos conta disso será romper e negar toda forma de preconceito, discriminação, moralismo e opressão que destroem e machucam “as casas” dos/as jovens.
Como Pastorais da Juventude, no seguimento a Jesus, revitalizando nossa missão com a juventude devemos assumir, crer e viver a juventude como realidade teológica e a diversidade juvenil como expressão das manifestações do Deus da Vida falando-nos, escutando-nos e vivendo na juventude.

          

Desde as casas que somos e que habitamos, assumindo o mundo como nossa grande casa, com as sandálias nos pés, sigamos no compromisso da doação da vida pela vida da juventude, nos passos do Jovem de Nazaré...



Abraços Fraternos,
Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ da Diocese de Erechim
Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e Vocacionado Jesuíta
Gabriel Jaste – Membro da Coordenação Nacional da PJ pelo Regional Leste 1

Páscoa cristã: caminho e compromisso com a vida


Celebramos e vivemos, “neste dia que o Senhor fez para nós” (Sl 117), o mistério da ressurreição. Não há como viver o mistério pascal se não percorremos com Jesus o caminho que Ele percorreu na consumação da doação de sua vida. Foi este o caminho que percorremos nesta semana e é ele que nos ajuda a compreender e viver o mistério pascal. Por isso, voltemos a algumas trilhas dele.
“Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou” (Mc 11 ,7). Em sua entrada em Jerusalém, Jesus elucida mais uma vez seu Reino. Celebrando hoje a páscoa somos convidados a nos comprometer com este Reino.
“Jesus tendo amado os seus, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Viver o mistério pascal é deixar-nos inundar por este amor incondicional e permitir que ele transborde em nossas vidas para assim nós também amarmos incondicionalmente a todos/as.
“Compreendeis o que acabo de fazer?” (Jo 13, 12). Celebrar a Páscoa é deixar-nos indagar constantemente por esta pergunta que Jesus fez a seus discípulos naquela ceia derradeira e que faz a cada um de nós hoje.
“Entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; Ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores” (Is 53, 12). Celebrar a ressurreição é compreender a doação da vida pela vida como marca fundante de Jesus. É igualmente assumir a doação da vida até as últimas consequências.
“E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19, 30). Testemunhar Jesus morrendo na cruz, na celebração do mistério pascal, é comprometer-nos com tantos irmãos nossos que diariamente morrem pregados em tantas cruzes.
“Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado?
Ele ressuscitou” (Mc 16,6). Celebrar a páscoa é romper com os medos e com a desesperança que nos impedem de ver a vida mesmo em meio à morte, à dor e ao sofrimento.  
“Entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo.
Ele viu, e acreditou” (Jo 20,8).
Celebrar a ressurreição é,  em comunidade, correr ao túmulo para testemunharmos que o Senhor ressuscitou. E no túmulo vazio suplicarmos ao Deus da vida que Ele nos conceda a graça de viver este mistério pascal e que este mistério ressoe em nós de tal modo que em tudo gastemos nossas vidas pela vida.
Uma feliz páscoa na paz do Crucificado ressuscitado!
Amém!