terça-feira, 31 de janeiro de 2012

De Nazaré pode sair alguma coisa boa?

Venha e verás!
Jo 1,39

Ainda com o X Encontro Nacional da PJ vibrando em nós e na caminhada da Igreja Jovem do Brasil, Pastoral da Juventude, recebemos neste ano um convite não menos desafiador e provador. O convite, agora, é viver Nazaré. Quanta coisa bonita vivemos e refletimos na mística de Belém. Olhar para a Palavra de Deus e fazer ecoar em nossas vidas é sinal de que é possível continuar a história do Povo de Deus e a (re) criação do mundo através da nossa participação ativa. Nessa perspectiva de revitalizar os caminhos da Pastoral da Juventude da América Latina é que somos impelidos/as a olhar os passos de Jesus e, assim, animar nosso caminho pastoral rumo a Civilização do Amor. Nesse caminho, Nazaré se faz essência, se faz aprendizado, se faz família, se faz trabalho, se faz preparação para a missão... Assim, Nazaré é fundamental naquilo que de verdade deu sentido para a vida de Jesus e, quiçá, possamos refletir e viver esse espaço no nosso dia-a-dia.
Nazaré é parte da essência de Jesus. Não há como segui-lo e entende-lo se não assumimos e vivemos com Jesus o que Ele viveu em Nazaré, nos anos da vida oculta. Há muitas fontes evangélicas que nos remetem à importância de Nazaré no caminho, na vida e nas opções de Jesus reforçando sempre Jesus como Nazareno:  “Aconteceu, naqueles dias, que Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no rio Jordão” (Mc 1, 9); “A isso as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, o de Nazaré da Galiléia” (Mt 21, 11); “Jesus, o filho de José, de Nazaré” (Jo 1,45) e outras tantas citações que chamam Jesus de “o nazareno”.
 José Pagola, na obra Jesus – aproximação história, nos ajuda a desvelar esse povoado com muita clareza. Nazaré é pequena. Segundo fontes, deveria ter entre 200 e 400 habitantes. A maioria das casas eram baixas, de chão batido, com telhados de ramos ou argila, em geral só com um cômodo na qual se alojava e dormia toda a família. Esse foi o ambiente do dia-a-dia de Jesus. De Nazaré quase não se fala na Bíblia.  No decorrer do ano vamos aprofundar alguns aspectos dessa vida, desse cotidiano.
De Nazaré saiu Jesus, o verbo encarnado. Através de Maria e José, dos vizinhos, dos amigos, da relação próxima e fiel com o “Pai”, Jesus foi projetando a vida e a missão que tinha. Frei Carlos Mesters ajuda a refletir sobre o cotidiano do nazareno fazendo perguntas que mechem com a gente: às vezes, da vontade de sair perguntando às pessoas que conheceram Jesus: “contem para nós alguma coisa da vida dele. O que vocês lembram?” Se pudéssemos perguntar a Maria: “dona Maria, conte para nós como foi a vida de seu filho lá em Nazaré?” Ou ao povo de Nazaré: “Como foi a vida de Jesus naqueles anos?” O que nos diriam os meninos que brincavam com Jesus? E os rapazes que estavam sempre com Jesus? E as moças que, quem sabe, gostariam de casar com ele? Muitas perguntas... perguntas de quem viveu uma vida típica do povoado nazareu.
No nosso horizonte de Nazaré está a vida da juventude que é construída no cotidiano. A Pastoral da Juventude tem opção pelos pequenos grupos, naqueles em que a partilha de vida e a construção conjunta acontece de maneira mais fiel para que a vida de cada jovem seja sujeita. Isso é Nazaré. É emancipação. É preparação. É partilha. E, sim, muita coisa boa vem/está na juventude.
Sobre Nazaré queremos nos aventurar neste ano. Sobre os trinta anos de vida oculta de Jesus queremos debruçar-nos nesse caminho de fidelidade ao projeto do Pai.  Por isso convidamos cada um/a vir e ver se de Nazaré pode sair alguma coisa boa. Que Nazaré guie nossos passos na ação com os/as jovens em nosso continente para sermos sempre mais fieis ao sonho de Deus para a humanidade.

Com as sandálias nos pés iniciamos essa jornada.
Rumo aos muitos encontros!

Abraços Fraternos,

Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ da Diocese de Erechim
Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e Vocacionado Jesuíta
Gabriel Jaste – Membro da Coordenação Nacional da PJ pelo Regional Leste 1

domingo, 29 de janeiro de 2012

Prosa de dois velhos Pjoteiros/as

 Outubro/2010

- Nos vemos no seminário sobre os 100 anos de Puebla, certo?
- Lá olharemos para trás e veremos se esses nossos sonhos para a PJ aconteceram. Será que não precisamos escrevê-los?
- Eles já estão escritos em nossa memória e em nossa Vida, nunca os esqueceremos.
- 2079 será um ano de muita gratidão à Deus....

Depois de termos dito isso, nós (Paula Grassi – 20 anos (RS) e Luis Duarte – 18 anos (GO) membros da Coordenação Nacional da PJ em 2010 e grandes amigos) nos despedimos e seguimos para nossas terras/dioceses/regionais para continuarmos a missão de amarmos os/as Jovens até o fim, defendendo sua Vida...




Dezembro/2079

Aos poucos íamos vendo o rosto dos/as jovens, assessores/as, leigos/as, religiosos/as, padres, bispos e amantes da Juventude que iam partindo de volta às suas casas depois de viverem a Grande Celebração dos 100 anos da opção preferencial da Igreja Latino-Americana pela Juventude... Eram sonhos, rostos, grupos, vidas que se reuniram naquela grande festa...
Sentados um ao lado do outro, num banquinho admirando o Divino no Jovem, seus sorrisos/rostos/cores/gestos, nós dois, chegando aos nossos 90 anos de idade, nos colocamos a falar da vida e a conversar:
- Quais eram os sonhos que desejávamos e ainda desejamos para a PJ, quando nos idos de 2010 éramos jovens e membros da Coordenação Nacional da PJ?
- O primeiro sonho, era continuar com a opção evangélica pelos jovens empobrecidos e excluídos. Desde o nascimento da PJ junto de suas irmãs PJMP, PJR e PJE, essa opção foi norteadora dos trabalhos pastorais. Recorda-te meu velho amigo Luís, das nossas incansáveis conversas sobre essa opção profética? Sempre acreditamos que é nesses jovens que a voz de Deus ecoa... E assim fomos e ainda somos solidários às suas dores, às suas alegrias, aos seus anseios... Mas esse era o primeiro sonho, me diga outro Luís!
- Manter viva a opção evangélica pelos jovens empobrecidos e excluídos é também falar de outro sonho que tínhamos para a PJ: sonhávamos que ela amasse o/a jovem incondicionalmente... Lembra-se do tanto de vezes que nas reuniões de dioceses, regionais e da CN falávamos que a PJ precisava acolher o/a jovem como ele/a é, com suas qualidades e limitações, com suas dores e alegrias, com suas cores e jeitos?
- Claro que lembro! A exemplo do Cristo que Ama e Liberta, amamos o/a Jovem incondicionalmente, mesmo quando excluído/a pela sociedade... Falando n’Ele, surge um dos principais sonhos das PJs: que a juventude possa descobrir, conhecer, ouvir, seguir e comprometer-se com Jesus Cristo. Foi na PJ que me senti chamada por Ele a seguir seus passos e a construir um mundo onde todos/as tenham vida e vida em abundância. Um mundo de justiça e solidariedade. Ele caminha conosco e ilumina nosso caminho.
- A PJ sem dúvida marcou a vida de muitos/as de nós. Como não lembrar das celebrações, atividades, DNJs e vivências que me fizeram, nos fizeram apaixonar por Jesus e nos comprometer a viver a Civilização do Amor no hoje? Lembra-se quando todos/as nós vivemos a preparação do III Congresso Latino Americano de Jovens, nos idos de 2010, onde queríamos “Caminhar com Jesus para dar vida aos nossos povos”?
- Recordo sim! Tinha várias maneiras para participar e você sempre motivando a todos/as para se envolverem! Contar a história de vida e da caminhada pastoral foi uma das maneiras que movimentou muitos/as jovens da base. E a nossa querida delegação brasileira que foi ao III Congresso, voltou cheia de histórias boas e outras nem tão boas pra contar... E nesse mesmo tempo do Congresso tava rolando aqui no Brasil a profética Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens... Que Campanha foi aquela, meu amigo Luis!
- Pois, é minha querida irmã... Como não se lembrar das inúmeras ações, seminários, marchas, estudos, cursos, palestras da Campanha que aconteceram, onde a Igreja Jovem denunciou as brutalidades da sociedade que mata as Juventudes... Sabe minha amiga, fazer memória da Campanha, também me remeteu à memória de Pe. Gisley – mártir da Juventude, que em um dos seus últimos e-mails fazia uma profecia: “Vamos juntos/as gritar, girar o mundo! Chega de Violência e Extermínio de Jovens!” Se lembra dessa frase?
- Infelizmente não conheci Pe. Gisley, mas seu trabalho e desejo com a juventude atravessam a fronteira dos estados, motivando outros padres, religiosas e religiosos para a evangelização transformadora. Com sua perda, seu sangue se espalhou por todo o Brasil... Germinaram sementes de esperança, de coragem... E essa frase em Cirandas de Vida, foi orada e cantada por milhares de jovens em cada cantinho do nosso país. As cirandas e toda a mobilização da Campanha foram sinais de Pastorais realmente comprometidas com a realidade. Falar em Gisley me lembra os momentos de resistência que passamos... Sabe Luís, foram tempos desafiadores e duros, algumas vezes, durante o tempo que estivemos na Coordenação Nacional. Mesmo quando saímos dessa instância, os desafios, as dores para as Pastorais da Juventude continuaram nos regionais, nas dioceses. Sempre pedi muito a Gisley para olhar e iluminar a caminhada das PJs.
- Nestes tempos difíceis que vivemos enquanto CN ou depois que saímos dela eu sempre me lembrava do testamento de Pe. Floris. Ele que foi assessor da PJB nos idos de 1991 e um dos sistematizadores do Processo de Educação na Fé, às vésperas de partir à eternidade, depois de uma vida doada aos pobres e jovens, com seu corpo tomado pelo câncer escreveu: “Se vier a saúde, seguirei servindo aos pobres e jovens. Mas se vier a morte, que ela seja na Cruz de Cristo uma oferta pelos pobres, jovens e pela Pastoral da Juventude do Brasil e da América Latina”.
- Pois é Duarte, tantas pessoas, tantos jovens passaram pelas Pastorais da Juventude deixando suas marcas... E as PJs também deixando marcas em suas vidas. Quem passou por alguma Pastoral da Juventude foi despertado para a pessoa de Jesus Cristo, comprometendo-se com o Reino de Deus, e assim com a vida do homem e da sociedade, com uma vida de comunhão e participação. Quem passou por alguma PJ fez e faz a diferença por onde atua, seja na sua comunidade, em outra pastoral da Igreja, no sacerdócio, nos movimentos sociais e tantos outros espaços. Falando nisso Luís, te contei? Meus filhos e netos também atuaram na PJ. A filha mais velha está ainda de assessora, e os netos ajudam muito na suas comunidades com os grupos de jovens das paróquias. Um deles inclusive está fazendo o CAJO pra se capacitar mais. E agora quem está começando no grupo de base é meu primeiro bisneto. Imagina... Tá iniciando o processo de educação na fé.
- Que notícia mais cheia de vida... Lembro-me, que certa vez me encontrei com um de teus netos em uma formação na CAJU... Eu, um padre já velho, estava lá, falando para aqueles/as jovens sobre Processo de Educação na Fé a partir dos Lugares Bíblicos da Vida de Jesus... Seu neto era um dos que mais participava dos debates! Bem se via que era seu neto... Sabe de uma coisa Paula? Uma das coisas que mais me marcaram na caminhada de PJ foram as amizades e o acompanhamento... Até hoje meu coração arde quando me lembro dos/as inúmeros/as amigos/as, irmãos/ãs que fiz e conheci na pastoral... Recordo-me com imensa gratidão das coisas que vivi junto deles/as seja no tempo das coordenações e assessoria, seja na vida... E como esquecer também daqueles/as homens, mulheres, religiosos/as e padres que nos acompanharam no processo de educação na fé? Lembra-te de Raquel, de Carmem, de Alessandra, de Joaquim, de D. Vinicius, de Fabiane, de Edinho, de Wandinho, de Renato, de Hellen, de Karlos, de Alessandro, de Rezende, de Pe Gilmar, de Hilário??? Ahh que saudade deles/as...
- Lembro sim, mas essas foram algumas das milhares de mãos que fizeram a história da Pastoral da Juventude. Outras mãos que também fizeram a história da PJ foram nossos/as amigos/as e companheiros/as de Caminhada Pastoral... Como não lembrar de Rodrigo, Elis, Roberta, Ângela, Carlinhos, Adriano, Hildete, Thiesco, Jon, Walkes, Thiago, Renatinha, Edney, Felipe, Claudinei, Sandra, Marcelo, Jhonson, Álvaro, Fábio, Jaiane, Alex, Vanessa, Pedro, Pâmela, Ciana, Daniel, Daiane, Silvana, Susana, Rosana... E muitos são os/as companheiros/as de caminhada e de vida...
E ficamos ali um do lado do outro revisitando lugares, re-vivendo momentos, vendo e ouvindo pessoas, passeando pelos nossos caminhos e por nossas Memórias. Depois de muito tempo:
- Sabe de uma coisa meu querido irmão?
Olhei pra Paula na espera de suas palavras e ela me disse:
- Essa história, marcada pelo desejo das Bem-Aventuranças (MT 5, 1-12), tecida pela juventude no seguimento coerente a Jesus, seguirá por muito tempo ainda, dando passos rumo à Civilização do Amor!
Na felicidade do encontro, da amizade, da vida partilhada, do fazer memória e do celebrar a opção pela juventude nos despedimos em um longo abraço, dizendo um até logo, pois amigos/as nunca se separam.
Amém!

Por Paula Cervelin Grassi, 21 anos – Regional Sul III e Luis Duarte Vieira, 18 anos – Regional Centro-Oeste Ambos grandes amigos e os/as mais jovens membros da Coordenação Nacional da PJ em 2010.


Carta à minha Paróquia, minha Diocese e à PJ da Diocese de Jataí




Rio Verde/GO, 23 de janeiro de 2012
Ano de Nazaré, Ano do Bem-Viver!

            Jesus foi à cidade de Nazaré!
Lc 4, 16a.

À Comunidade de Comunidades – Paróquia São Francisco de Assis
À Igreja Particular do Divino Espírito Santo de Jataí
À Pastoral da Juventude da Diocese de Jataí

Queridos/as,
Saudações no Divino que habita na Juventude!

O meu caminho de vida, a vivência e atuação pastoral na Comunidade São Francisco de Assis e na Diocese de Jataí, a participação, atuação e serviço aos Grupos de Jovens e à Juventude, a atuação, as vivências e o serviço na Pastoral da Juventude de modo especial na PJ da Diocese de Jataí, as inúmeras atividades, formações, vivências, celebrações e reuniões na Casa da Juventude Pe. Burnier e as atividades e vivências com a Companhia de Jesus, fizeram-me assumir o projeto do Reino, no seguimento de Jesus, para minha vida. É por causa do Reino que quero gastar minha vida no seguimento coerente a Jesus de Nazaré.
Optando pelo seguimento coerente a Jesus, o caminho e as vivências foram me provocando a viver no compromisso mais radical no serviço aos/às pobres, aos/às jovens, na garantia de Vida plena e feliz para todos/as, como sinal do Reino que na minha vida se traduz em oferenda. É nesse desejo de fazer de minha vida uma oferenda que a partir de fevereiro deixo o convívio cotidiano de meu lar, de minha comunidade, de minha família e de meus amigos/as para entrar na Comunidade Vocacional dos Jesuítas. É meu desejo fazer da vida uma oferenda através da Vida Religiosa na Companhia de Jesus sob o carisma missionário de Inácio, à luz dos exercícios espirituais, na contemplação e ação, e em tudo amando e servindo.
Escrevo estas palavras partilhando essa opção, pois cada um/a de vocês que fazem a Paróquia São Francisco de Assis, a Diocese de Jataí e a Pastoral da Juventude dessa Igreja Particular são parte de minha vida, e como tal, parte dessa opção que agora assumo para a vida.
Agradeço imensamente a cada um/a de vocês que ajudaram-me a trilhar esse caminho de serviço ao Reino, ao Povo de Deus e à Juventude, tanto em minha Paróquia, como na PJ e como na Diocese. Guardarei para sempre o que vivi com cada um/a de vocês neste chão sagrado de nossa Diocese. Durante todo esse tempo senti o apoio de vocês e quero seguir tendo ele, que é tão importante. Igualmente reafirmo meu compromisso com minha Paróquia, com a PJ e com a Diocese colocando-me sempre à disposição para contribuir no que for preciso, tendo em vista o anúncio da Boa-Nova e a construção do Reino.
Agora ao embarcar nessa aventura como Peregrino, tendo apenas o Senhor como guia, ouso deixar-lhes algumas palavras:
À minha Comunidade e Paróquia, São Francisco de Assis. Que a memória da vida e do testemunho de Francisco de Assis provoque sempre mais uma ação evangelizadora marcada pela coerência e radicalidade do seguimento à Jesus. Sejam verdadeiramente uma Comunidade de Comunidades que vive na radicalidade o Evangelho e segue construindo o Reino de Deus.
À minha Diocese, Diocese do Divino Espírito Santo de Jataí. Fica a prece para que o Espírito sopre sempre ventos de ousadia, esperança e compromisso com o Reino. Desejo imensamente que a Diocese siga sendo testemunha fiel da Testemunha Fiel e siga espalhando nessas terras do sudoeste goiano a Boa-Nova de Cristo. Desejo igualmente que o anúncio da Boa-Nova nessas terras siga sendo feito também no testemunho de tantos/as que assumem e vivem o Evangelho em suas vidas e em ações que constroem o Reino no hoje e no agora. Peço também, numa súplica sincera, que a Diocese, nunca descuide da juventude e que sempre renove e reafirme a opção preferencial pelos jovens amando-os até o fim, a exemplo do Jovem de Nazaré. Dom Majella, nosso bispo, convocou toda a Igreja Diocesana a viver o Ano da Palavra, neste ano em que a PJ na América Latina vive o ano de Nazaré. Nazaré foi também para Jesus um tempo fiel de escuta, oração e meditação da Palavra. Esse tempo de Nazaré na vida de Jesus e na escuta da vontade do Pai fez com que, posteriormente na Sinagoga, Jesusassumisse publicamente seu projeto de vida: Vida plena para todos/as. Que o Ano da Palavra anime a vida e missão da Igreja em nossa Diocese tendo em vista a concretização do sonho de Deus: vida plena para todos/as, seu Reino.
À Pastoral da Juventude da Diocese de Jataí há muita coisa que gostaria de dizer. Fazendo o esforço de dizer tudo em uma síntese pequena gostaria de deixar uns conselhos simples de quem ama muito essa pastoral, de quem foi parte dessa história e de quem sempre terá a PJ no coração. Não descuidem nunca dos grupos de jovens. Não descuidem da história e da identidade da PJ. Não deixem de defender a vida da juventude com ousadia. Não deixem de realizar atividades de formação. Vivam intensamente o ano da Palavra, o ano de Nazaré e o projeto de Revitalização da PJ. Nunca percam o protagonismo juvenil e nunca deixem de viver a juventude como realidade teológica. Sejam sempre coerentes com o Evangelho e tenham sempre a Palavra de Deus como guia. Nunca deixem de seguir com alegria, ousadia e esperança na construção do Reino com os/as jovens.
Encerrando estas palavras, gostaria de dar um abraço apertado em cada um e cada uma vocês que foram e são parte de meu caminho e de minhas opções. Quero dar-lhes um abraço de gratidão e amizade.
Que o Jovem de Nazaré, que se fez Caminho sem deixar de ser Horizonte, esteja sempre com a Paróquia São Francisco de Assis, com a Pastoral da Juventude e com a Diocese de Jataí. Que o Jovem de Nazaré igualmente guie e guarde cada um/a de vocês em seu abraço!

Sigamos juntos/as na teimosia de construir o Reino de Deus!

Abraços Fraternos,

Luis Duarte Vieira

Canção da viva decisão



Por detrás dos ecos e feridas
O sorriso de um sonho
Fraterna mansidão,
Suave estado de espírito.

Assim a vida reporta
A novos horizontes
Talvez não antes navegados,
Porém, sonhados, tecidos
Na paixão pelo Reino
Na paixão pelo jeito jovem.

O sorriso conforta,
Os lábios proclamam
Incessantes sonhos de vida
E a ferida se fecha
A passo que a dor adormece
É sempre vida e sempre tanto
Inefável amor e encanto.

Em cada despedida
Novas amizades, sinceras
Partilhas de verdade;
É chegança, é liberdade
Que se tece nas manhãs
Em busca de esperança.

O caminho trilhado é longo
Duro, difícil, mas prazeroso
Porque só é contente quem
Sabe do porquê de caminhar,
Pois já encontrou refúgio
No jeito novo de sonhar.

Na estrada ficam a beleza das flores
Colhidas no caminho, uma a uma
Aromas doces, suaves, espinhentas
Ou imersas nas estradas da vida.

Sob os pés vai a certeza
Do momento difícil de partir
Um adeus sob a confiança
De um mundo novo a construir.

No coração segue a esperança
E o amor que nunca cessa
Tantos nomes na memória,
Na história que seguirá
Sendo construída passo a passo.

Com a beleza e a certeza
De que as mãos se unirão
Num suave e doce canto.

Na doce incerteza das manhãs
Ficam os amanhãs, cheios de vida
Cheios de alegria, de amor
Olhar ligeiro, estradeiro de
Quem aceita a missão
De sonhar, fazer, ousar, construir
A Civilização do Amor!


* Presente do amigo Uilian Dalpiaz para mim em 22/10/2011.

sábado, 28 de janeiro de 2012

X Encontro Nacional da PJ

Uma decisão: ir à Jerusalém!
Uma opção: amar sem medida!
Uma descoberta: Não há felicidade fora da doação da vida!
X Encontro Nacional da PJ


Encontro. Assim foi a experiência do X Encontro Nacional da PJ. Era mais que um simples encontro. Era mais que um outro encontro. Era mais que a décima edição de uma atividade. Era e foi o encontro de jovens e assessores/as, seguidores/as de Jesus e apaixonados/as pela vida, se encontrando com Cristo no encontro com o/a outro/a. Foi, novamente e em outro tempo na história, o encontro de Cristo com as pessoas provocando opções, decisões e descobertas.
           
Como Comunidade dos/as que seguem o Ressuscitado, jovens, assessores/as, religiosos/as, padres e bispos da Igreja Jovem do Brasil – Pastoral da Juventude -  viveram a experiência do encontro nas terras da Cidade Canção – Maringá/PR, na celebração do X Encontro Nacional da PJ.

            A vida de Jesus Cristo, a quem seguimos, foi uma vida marcada de encontros. Encontros simples, intensos, marcantes e provocadores. Poderíamos gastar horas dizendo dos encontros que Jesus viveu desde seu nascimento, em Belém, à Cruz e ao Sepulcro Vazio, em Jerusalém. Cada encontro de Jesus provocava e ainda provoca em quem o vive, inclusive em si mesmo, uma decisão, uma opção e uma descoberta.

            Não há palavras que consigam descrever o que foi o X Encontro, marcado por tantos encontros. Não há palavras que consigam devolver ao mundo o que foram tantos encontros em um só encontro. Era o encontro de amigos/as. Era o encontro de opções. Era um encontro da história com a novidade. Era o encontro de décadas. Era o encontro na memória Pascal. Era o encontro com a memória de tantos/as que deram suas vidas pelo Reino. Era o encontro de nós conosco mesmo. Era o encontro de gente de grupo de base com gente de coordenações e assessorias, todos/as preocupados/as com a comunitariedade e com os grupos, lugar da felicidade. Era o encontro do pão partilhado. Era o encontro de quem assumiu a luta por voz, vez e lugar para todos/as. Era o encontro de sonhos. Era o encontro de encontros. Era e foi o encontro de amigos/as. Era o encontro de Jesus com seus amigos e suas amigas. Era o encontro dos/as companheiros/as de Jesus. Era o encontro de lutadores pela vida. Era e foi encontro provocando decisões, opções e fazendo descobrirmos e re-descobrirmos sempre de novo aquilo que não pode ser esquecido.

O X ENPJ entra pra história não somente por ser mais um encontro, mas pelo significado na vida de quem viveu ele e pelo seu significado na caminhada da PJ. Igualmente entra pra história como um encontro de muitas decisões, opções e descobertas. Foram muitas. Não há como dizer de todas elas e nem devemos.

No encontro com Cristo e na reafirmação do ser Igreja Jovem, sendo PJ, o X Encontro Nacional provocou em quem o viveu e na Pastoral da Juventude a decisão de ir a Jerusalém, pois o Reino não se faz sem a vida doada na Cruz e no Sepulcro Vazio. Provocou, igualmente, nesse caminho, a opção de amar sem medida. Se for preciso morrer pela juventude, morreremos. Se for preciso morrer pelo Reino, morreremos. Amaremos sem medida. Amaremos até o fim.

Igualmente o encontro fez com que a PJ redescobrisse algo que já sabe há muito. Fez ela dar-se conta, novamente, de algo que a juventude vai vivendo na epopéia de si mesma. A PJ re-descobriu que não há felicidade fora da doação da vida.

Esse caminho todo foi feito com os/as jovens e amantes da juventude nos passos de Jesus e com Ele sendo Caminho e Horizonte. Esse foi o X Encontro Nacional da PJ. Um Encontro de encontros.



Ao amigo Luis Duarte, com afeto, erva-mate e tempero!

“Reconheçam de coração o Cristo como Senhor, estando sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pede a vocês” (1 Pd 3, 15)

            Escolher o que falar da vida é algo nunca fácil. Escolher o que escrever sobre a vida é pior ainda… Sempre deixamos escapar coisas, trecos, relógios, dores, a fome e a vontade de ir ao banheiro. Enfim, falar e escrever sobre a vida é uma ousadia porque palavras nunca conseguem transmitir a essência de momentos que vemos, cheiramos e degustamos. Muito menos, as palavras conseguem expressar os sentimentos que nos tomam por completo…
            Seja pelo corpo, ou pela alma, os sentimentos que habitam e fazem morada no mais profundo do ser humano são sensações que desestabilizam aqueles que estão verdadeiramente vivos!
            Só os vivos são desestabilizados por conseguirem “sair de si”, no sentido mais místico que pode (ou poderia) ter esta afirmação. Se colocando para fora ao encontro com os sentimentos, sensações, cheiros, gostos e dores que vão encantando e os fazendo se construir como pessoas. Quem sabe, os seres humanos vivos são dialéticos, pois ao se jogarem para fora se encontram no seu mais intimo e secreto segredo pessoal…
            Nesse jogo e choque de interação do externo que constrói o interno, os humanos se desestabilizam, talvez por serem simplesmente: humanos…
            Quem sabe, escrevendo isso eu possa estar cometendo grandes e graves erros filosóficos, mas são erros que me desafio a cometer! Escrevo apenas aquilo que vi, vivi, vivo ou ouvi dizer por amigos. Acreditando nessas sensações, nesses movimentos e nessas palavras difíceis acredito que esteja tendo um devaneio. Não um devaneio clínico, médico, patológico, mas um devaneio sincero, profundo e normal… Quem sabe, viver não seja se desestabilizar pelos devaneios dos outros que nos provocam “devanear”?… Não sei, não tenho respostas, tenho apenas as minhas impressões, as minhas experiências de vida que no conflito com as dos outros/as que entro pela vida me fazem devanear…
            Confiante de que vou construindo a minha vida no soco e no abraço de amigos, confio na força daqueles sentimentos, daquelas sensações, enfim, daquelas coisas que não conseguimos verbalizar sem deixarmos escapar a essência delas… De repente, o que me (e nos?) resta disso tudo é incentivar os devaneios que temos ao longo da vida… Devanear é preciso, pois é o que nos resta de mais profundo, desestabilizado e afetado pelas experiências de vida…

Devaneios, creio eu, são mais do que sobras, são gritos repletos de esperança!

“São devaneios porque são do coração...”

Rafael Barros
Canoas, agosto de 2011
Num inverno com gosto de primavera