“Reconheçam de coração o Cristo como Senhor, estando sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pede a vocês” (1 Pd 3, 15)
Escolher o que falar da vida é algo nunca fácil. Escolher o que escrever sobre a vida é pior ainda… Sempre deixamos escapar coisas, trecos, relógios, dores, a fome e a vontade de ir ao banheiro. Enfim, falar e escrever sobre a vida é uma ousadia porque palavras nunca conseguem transmitir a essência de momentos que vemos, cheiramos e degustamos. Muito menos, as palavras conseguem expressar os sentimentos que nos tomam por completo…
Seja pelo corpo, ou pela alma, os sentimentos que habitam e fazem morada no mais profundo do ser humano são sensações que desestabilizam aqueles que estão verdadeiramente vivos!
Só os vivos são desestabilizados por conseguirem “sair de si”, no sentido mais místico que pode (ou poderia) ter esta afirmação. Se colocando para fora ao encontro com os sentimentos, sensações, cheiros, gostos e dores que vão encantando e os fazendo se construir como pessoas. Quem sabe, os seres humanos vivos são dialéticos, pois ao se jogarem para fora se encontram no seu mais intimo e secreto segredo pessoal…
Nesse jogo e choque de interação do externo que constrói o interno, os humanos se desestabilizam, talvez por serem simplesmente: humanos…
Quem sabe, escrevendo isso eu possa estar cometendo grandes e graves erros filosóficos, mas são erros que me desafio a cometer! Escrevo apenas aquilo que vi, vivi, vivo ou ouvi dizer por amigos. Acreditando nessas sensações, nesses movimentos e nessas palavras difíceis acredito que esteja tendo um devaneio. Não um devaneio clínico, médico, patológico, mas um devaneio sincero, profundo e normal… Quem sabe, viver não seja se desestabilizar pelos devaneios dos outros que nos provocam “devanear”?… Não sei, não tenho respostas, tenho apenas as minhas impressões, as minhas experiências de vida que no conflito com as dos outros/as que entro pela vida me fazem devanear…
Confiante de que vou construindo a minha vida no soco e no abraço de amigos, confio na força daqueles sentimentos, daquelas sensações, enfim, daquelas coisas que não conseguimos verbalizar sem deixarmos escapar a essência delas… De repente, o que me (e nos?) resta disso tudo é incentivar os devaneios que temos ao longo da vida… Devanear é preciso, pois é o que nos resta de mais profundo, desestabilizado e afetado pelas experiências de vida…
Devaneios, creio eu, são mais do que sobras, são gritos repletos de esperança!
“São devaneios porque são do coração...”
Rafael Barros
Canoas, agosto de 2011
Num inverno com gosto de primavera
Nenhum comentário:
Postar um comentário