Desde Nazaré, sentindo o
cheiro da Conferência Rio + 20 e
da Cúpula dos povos
No
caminho de Nazaré, que vivemos intensamente nesse ano de 2012 em se falar do
projeto de revitalização da Pastoral da Juventude da América Latina, nos damos
conta do espaço onde Jesus cresceu: “em
sabedoria, estatura e graça” (Lucas 2,52). Já escrevemos em um texto
anterior sobre a casa de Jesus em Nazaré. É interessante percebermos também o
cuidado que Jesus teve, desde seu povoado, com o mundo que o rodeava. Viu os
pastores cuidando das ovelhas, viu as mulheres indo buscar água no poço, viu as
plantações crescendo, o tempo em que a figueira produz frutos e ao ver e viver
isso tudo foi assumindo o mundo como sua casa e como tal viveu o cuidado com
este mundo.
Desde
Nazaré Jesus foi assumindo o cuidado como parte fundante de sua missão e do que
ele viveria no encontro com os outros e com o mundo. Jesus foi estabelecendo
uma relação tão intensa que em dado momento de sua missão assume radicalmente o
mundo como casa, casa de e para todos/as.
No
centro do projeto de vida de Jesus estava a construção do Reino de Deus. O
Reino só acontece com fraternidade, amor, solidariedade, respeito, distribuição
de renda, justiça, igualdade, defesa da vida, harmonia, respeito com a natureza
e desenvolvimento sustentável. Se o Reino era o centro do projeto de vida de
Jesus, a Comunidade dos/as Seguidores/as de Jesus, também é chamada a construí-lo.
A construção do Reino de Deus passa necessariamente pela defesa de todas as formas de vida no planeta,
pelo desenvolvimento sustentável e territorial, ou seja, o lugar de morada de
cada um/a, todos/as com vida digna nos lugares vitais de experiência de vida, a
casa, a rua, o bairro, a cidade.
Vivemos um tempo em que se está no auge
das discussões o cuidado com o planeta, com a casa que recebemos para morar.
Nesse mês de junho, onde celebramos o dia do meio-ambiente, acontece o grande
encontro chamado Rio + 20 – Conferência das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte
anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento (Eco-92) e deverá contribuir para definir a agenda do
desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. A conferência terá dois
temas principais: 1) A economia verde no contexto do desenvolvimento
sustentável e da erradicação da pobreza e; 2) A estrutura institucional para o
desenvolvimento sustentável. Entendemos a Rio+ 20 como é um lugar da
diplomacia, oficialidade, burocracia, com uma grande importância e merece
atenção.
Paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável (UNCSD), a Rio+20, acontece também a Cúpula dos
Povos na Rio+20 que é
um evento organizado pela sociedade civil onde se pretende discutir a Justiça
Social e Ambiental. A ideia é que a Assembleia Permanente dos Povos
– o principal fórum político da Cúpula, se organize em torno de três eixos
e debata as causas estruturais da atual crise civilizatória, sem fragmentá-la
em crises específicas – energética, financeira, ambiental, alimentar. Com isso,
espera-se afirmar paradigmas novos e alternativas construídas pelos povos e
apontar a agenda política para o próximo período. Os três eixos são: denúncia das
causas estruturais das crises, das falsas soluções e das novas formas de
reprodução do capital, soluções e novos paradigmas dos povos
e estimular organizações e movimentos sociais a articular processos de
luta anticapitalista pós-Rio+20. As juventudes de todo o mundo
estarão presentes e participando ativamente da Cúpula dos Povos e da Rio+20..
É na Cúpula
dos povos, espaço de organização dos coletivos de movimentos sociais, pastorais
e organizações, que queremos reafirmar o lugar da sociedade organizada para a
conquista do Bem Viver. Os
povos querem dizer sua palavra, reconhecendo a importância da conferência
oficial, mas sabemos dos limites dessa “oficialidade” tendo em vista que o atual sistema de produção e consumo, não está
à serviço da vida das pessoas, mas do capital.
Na convergência do diálogo entre os coletivos
que estão na defesa da vida, assumimos a opção radical pelos direitos humanos
através da defesa e preposição de uma economia à serviço da vida. Neste sentido os/as jovens irão unir suas
vozes a tantas outras no grito contra a economia verde e o processo de mercantilização
da natureza. Não acreditamos que a única ação de reciclar e privatizar os
recursos naturais, sejam suficientes para o Bem Viver, e sim apoiar, fortalecer
e fomentar a intervenção em situações que impedem grande parte da humanidade de
viver com dignidade. A profecia do Reino e da Civilização que sonhamos e
lutamos.
No caminho da revitalização da PJ devemos
dar-nos conta que os/as jovens sempre participaram ativamente das lutas
ambientais e sociais. Uma pastoral da juventude encarnada na vida da juventude
e fiel ao seguimento de Jesus se une aos/às jovens em suas lutas ambientais e
se compromete com a vida do planeta, nossa casa. No III Congresso
Latino-Americano de Jovens, realizado na Venezuela em 2010, a Igreja jovem ali
presente dizia na mensagem final do Congresso: “Advertimos sobre as ações de algumas empresas nacionais e
transnacionais perigosas para a Natureza e para nossos povos, especialmente as
ocasionadas por empresas de agroindústria, petroleiras e mineradoras. Cremos
que nós, jovens, somos chamados/as a defender a Criação de Deus, assumindo
nosso discipulado missionário. Jesus nos impulsiona a transformar nossa
realidade como agentes de mudança e sujeitos ativos nos contextos políticos,
econômicos, eclesiais e sociais, com consciência crítica e participação
cidadã.”
Tendo em vista a participação dos/as
jovens na Cúpula dos Povos e reconhecendo que a juventude sempre participou das
lutas pela vida no planeta a PJ organizou um subsídio para os grupos de jovens:
“Cúpula dos Povos na Rio+20 – Subsídio para os Grupos de Jovens”. Todos/as são
chamados/as a estudar e debater a Rio+20 em seus grupos.
Oxalá,
neste caminho de revitalização de nossa ação com os/as jovens e nesse tempo de
grandes debates sobre a vida do planeta, aprendamos do Jovem de Nazaré o
cuidado com a vida do planeta e que ao segui-lo e na opção preferencial pela
juventude, possamos doar nossas vidas pela vida da juventude e pela vida do
planeta.
Seguimos firmes, nos passos do Jovem de Nazaré, com
os/as jovens calçando as sandálias da defesa da vida da juventude e do planeta
para a implementação de um projeto de sociedade, a Civilização do Amor.
Alessandra Miranda - Comissão Nacional de
Assessores/as da PJ e Assessoria em Direitos Humanos da Cáritas Brasileira
Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ da Diocese de Erexim
Luis Duarte Vieira – Militante
da PJ e Vocacionado Jesuíta
Gabriel Jaste – Membro
da Coordenação Nacional da PJ pelo Regional Leste 1
Paulinha Cervelin Grassi – Membro da coordenação Nacional da PJ pelo Regional Sul 3 e
representante da PJ no CONJUVE
Na elaboração
deste texto utilizamos informações dos seguintes sites que também podem ser
acessados para saber mais da Rio+20 e da Cúpula dos Povos:
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